VERSOS SOLTOS

GALOPANDO NO TEMPO E NO VENTO

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“Galopo pensando no tempo que passa,

Tão vertiginoso qual sopro do vento

Que varre caminhos e até pensamento,

Deixando pra trás, nevoeiro, fumaça…

O sopro é o que traz um alento e abraça

A vida que segue traçando caminho.

O tempo é o relógio no redemoinho

Dos dias, semanas, dos meses, dos anos

Passados, presentes, anelos e planos,

Que foram, por certo, gerados no ninho.

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Seguindo o caminho de curva fechada,

Um forte arrepio na espinha dorsal;

Na beira da mata, um estranho arsenal

De tocos, garranchos e pedra lascada

Vedando o acesso, atrasam a jornada,

Cansaço medonho desse galopar

São léguas à frente e o tempo a rolar

No despenhadeiro do dia que morre

Nos braços da noite, um pranto escorre

Em gotas que banham a terra e o ar.

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E quando amanhece, o sol ilumina

A estrada de pedra que resta a seguir.

Sem olhar para trás, à frente, há porvir,

Na noite cinzenta, ficou a neblina

No leito do rio de água cristalina,

O corpo tão frágil se banha sedento.

Erguendo o olhar ao azul firmamento,

Tentando alcançar a linha do horizonte

Que tece a beleza que nasce da fonte

E expressa a grandeza da força do vento.”

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Creusa Meira

20.01.2017

 

GALOPANDO NO TEMPO E NO VENTO

(Glosas para Creusa Meira)

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“No tempo galopo, pensando estancá-lo,

Porém, corre e passa com celeridade,

Zombando de quem, no crepúsculo da idade,

Ainda reluta por administrá-lo,

Montado feliz num alado cavalo

Por cima de sonhos, há muito sonhados

Na doce lembrança dos anos passados,

Plantados em pleno albor da adolescência,

Que já não os tenho como referência

De gozo e prazeres bem vivenciados.

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Que resta afinal desta rota traçada,

Se pelo destino ou Deus, isso não sei,

Porém, muito longa sempre a desejei

Por vias diversas, em curvas e retas,

Cercado de amigos, além de poetas,

Artistas que pintam nuances da vida

E até mesmo fingem, a dor que é sentida

Do amor que se foi, só deixando saudade

Na face sombria da realidade

Assim que chegar o dia da partida?

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Amiga, nem quero pensar nisto agora,

Embora a verdade seja irrefutável,

Porém, convenhamos, é mais agradável,

Pensar que não há de chegar cruel hora,

Pois isso, confesso, muito me apavora.

O tempo passou e não volta jamais,

Restando, tão só, nos dias atuais

A louca corrida ao seu porto final,

Que mesmo doída, será natural

Contanto, longínqua! Melhor… quanto mais.”

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José Walter Pires

21.01.2117

 

 

“Luana, que é voluntária,

Traz na mente o esplendor,

Traz o brilho das estrelas,

Traz na mao sempre uma flor.

Os poetas desta casa,

Saberão lhes dar valor.”

Savio Pinheiro

01/02/2017