Manual da Copa 2006

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Manual da Copa 2006

J. Victtor

Salve, salve, minha gente!
Esse ano vai ter Copa!
Prepare a televisão,
a bacia com pipoca,
cervejinha bem gelada
igual traseiro de foca.

A Copa é dividida
em oito grupos somente,
com quatro times em cada
e cada um bem ciente
que o jogo é para valer
e não é beneficente.

Vamos saber as cidades
onde serão as batalhas
entre nações preparadas,
vestidas em suas malhas.
Os que saírem primeiro
coloquem suas mortalhas.

Hamburg, Berlin e Kolh.
Frankfurt, Leipzig e Munchen.
Stuttgard é conhecida,
Nurnberg e Kaiserslautern.
Hannover eu falo fácil,
Dortmund e Gelsenkirchen.

No Grupo A, Alemanha,
Polônia e Equador,
Costa Rica para espanto
do telespectador,
pra onde o nariz aponta
chuta o seu jogador.

Alemanha é um perigo;
adoram comer chucrute,
são fortes como cavalo
e grandes como mamute;
o alemão dá patada
que a gente chama de chute.

No Grupo B, Inglaterra,
Suécia e Paraguai,
tem Trinidad e Tobago,
esse eu acho que sai.
Já apostei com meu tio,
com meu irmão e meu pai.

No Grupo C, Argentina,
também Costa do Marfim,
tem Sérvia e Montenegro,
Holanda não é ruim,
quando encontrar a Argentina
o jogo não chega ao fim.

O Grupo D vai de Irã,
Angola e Portugal.
O Felipão que se cuide,
se bobear, passa mal.
Pra terminar tem o México
que nunca chega à final.

Angola tem pela frente
adversário ideal,
que a chuteira é tamanco
e a comida bacalhau
e no passado, escravos,
sofreram com Portugal.

O Grupo E é cascudo.
Repare no nome: Gana.
Mais os Estados Unidos,
lugar de gente bacana.
República Tcheca também
e a Itália romana.

O time americano
tem capacete e ombreira,
metralhadora e granada,
GPS e joelheira,
avião teleguiado
com bomba na dianteira.

No F tem o Brasil,
Austrália e o Japão.
Zico de olho puxado
já perde a direção.
ainda tem a Croácia
que joga com decisão.

O Brasil tome cuidado.
eu vou avisar pra tu:
no ataque australiano
joga um craque canguru,
aborígene e coala,
pela esquerda um tatu.

A Croácia vem da guerra,
o goleiro é soldado,
o zagueiro é sargento,
centro-avante mutilado,
ponta-esquerda tem no chute
um canhão bem regulado.

O Japão com terremoto,
pode esquecer da bola,
dar chute de karatê,
sumô, tiro de pistola,
com entrada na canela
que dói, machuca e esfola.

Suíça no Grupo G,
Coréia do Sul e França.
O Togo veio da África
repleto de esperança,
mas quando a bola rolar
ele é o primeiro que dança.

Com a Coréia do Sul,
a França tome cuidado:
dizem que um jogador
é todo falsificado,
mas não se sabe quem é
quando estão lado a lado.

O Grupo H é o último.
Nele Arábia Saudita,
Ucrânia mais a Tunísia,
Espanha, terra bonita;
mesmo com bons jogadores
jamais ganhou a bendita.

Parreira que não me venha
com a velha teimosia
de não jogar avançado
dizendo que não podia.
É só fazer o quadrado,
quinteto ou trilogia.

Já avisei ao Zagalo
e vou aqui insistir,
porque se fizer gracinha
vai ter que me engolir,
porque eu sou indigesto
e não adianta cuspir.

Para roubar bem a bola,
Parreira, vá ao senado,
chame Valério e Delúbio,
chame algum deputado,
mas fale pra devolvê-la
pro jogador bem ao lado.

Peço então ao bom Deus,
quero o Brasil muito forte,
que se faltar futebol,
tenha um pouquinho de sorte,
caso contrário será
típico caso de morte.

Ronaldo esqueça as mulheres,
atriz ou mesmo modelo,
case depois da final,
senão eu te dou um selo
nessa careca esquisita
e não me corte o cabelo.

A sensação dessa Copa
é bom mas não é gorducho.
Falo do outro Ronaldo,
pois cada um é dentuço,
mas o que manda agora
é Ronaldinho Gaúcho.

Robinho magrelo vá
pra cima com pedalada
bem no seu jeito moleque
batendo uma pelada,
pro gringo ficar doidão
de forma descontrolada.

Dida, mantenha a calma,
bote a zebra pra lá,
bata o tiro de meta
pro Adriano ou Kaká,
pra deslocar o goleiro,
chutar no canto de cá.

A bola por entre as pernas
entrando duro por trás,
chegando junto nas costas
marcando bem o rapaz,
ele amolece todinho
e o drible sai eficaz.

Na Copa 58,
brilharam Vavá e Pelé.
62 foi a vez
do nosso grande Mané.
De lá pra cá o Brasil
colou a bola no pé.

Um problema dessa Copa
são os hooligans ingleses.
Um monstro daqueles bate
em cinco ou seis japoneses,
nem adianta a rainha
prendê-los durante meses.

O futebol no Brasil
se joga em terra batida;
a bola pode ser bola
ou uma lata torcida;
apenas dois jogadores
já dão início à partida.

Vamos pra cima Brasil,
me encha de emoção,
chacoalhe com muita força
o meu feliz coração
que eu preparo a garganta
para gritar: Campeão!!!