Cem anos de xilogravura na literatura de cordel

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Cem anos de xilogravura na literatura de cordel

Arievaldo Viana e Marco Haurélio

Brasília está promovendo
Uma festa de cultura
Que trata sobre os 100 anos
Da nossa Xilogravura
Impressa sobre o papel
Dos folhetos de cordel
Popular literatura.

O cordel é mais antigo
Vem do século dezenove
Com Leandro e Pirauá
Começou, ninguém reprove
Minha rima, pois agora
Eu ando Nordeste afora
E tiro a prova dos nove!

Outros pioneiros são
João Melchíades Ferreira
Galdino da Silva Duda
Um poeta de primeira
Francisco Chagas Batista
Também foi um grande artista
Da cultura brasileira.

Mil novecentos e sete
Conforme a história apura
Foi o ano em que o cordel
Casou com a xilogravura
Num “taco” bem pequenino
Gravaram Antônio Silvino
Numa tosca iluminura.

Antes disso só havia
A chamada “capa cega”
Com letras e arabescos
Assim a história prega
E quem conhece a história
Puxando pela memória
Essa verdade não nega.

Agora eu quero falar
De um grande historiador
É nosso Jeová Franklin
Poeta e pesquisador
Da cultura popular
E é quem pode atestar
Da gravura o seu valor.

Ana Peigon é a produtora
Dessa mega-exposição
Ao lado de Jeová
Tem feito a divulgação
Desse evento grandioso
Que já se tornou famoso
De norte a sul da nação.

Ariano Suassuna
Ícone da nossa cultura
Que encantou o Brasil
Com sua Literatura
Também presente estará
Ao lado de Jeová
Na palestra de abertura.

Jeová é o detentor
De uma grande coleção
De gravuras populares
A maior desta nação
De Damásio a Walderêdo
Ele conhece o enredo
Da gravura no sertão.

Tem obras de J. Borges
João Pereira e Mestre Noza
Tem xilos de Minelvino
Que foi bom em verso e prosa,
Tem Dila, tem Abraão,
Eu que vi tal coleção
Atesto ser valiosa.

Tem de Marcelo Soares
Que é grande figura humana
Xilos de Stênio Dniz
Outra pessoa bacana
De Zé Bernardo ele é neto
Um grande artista, inquieto,
Cujo valor sempre emana.

Dessa nova geração
Cito Erivaldo primeiro,
Zé Lourenço, Francorli,
João Pedro do Juazeiro,
Tem Ciro, outro gravador,
Um grande batalhador
Lá no Rio de Janeiro.

João Pedro do Juazeiro
É artista singular
Escreveu até um livro
Sobre a arte de gravar
Nas cidades nordestinas
Faz palestras, oficinas,
Com o intuito de ensinar.

Mas voltemos à gravura
Feita por anônimo artista
Que ilustra um folheto
Do grande Chagas Batista
Mil novecentos e sete
É a data a que remete
O início dessa lista.

Tempos depois n’O Rebate
Um jornal de Juazeiro
Surge uma seção de trovas
Onde via-se um violeiro
Talhado em xilogravura
Arte sublime e tão pura
Presente no mundo inteiro.

Na gravura popular,
Uma escola muito forte
É a que ainda produz
Em Juazeiro do Norte,
Desde o passado milênio,
Que teve e tem em Stênio,
O verdadeiro suporte.

Pernambuco também traz
Contribuição certeira
No traço de Manoel
Apolinário Pereira.
Outro artista genuíno
Foi Cirilo ou Severino
Gonçalves de Oliveira.

Da mesma escola saído
Com talento e sem enfeite,
Seu traço característico
É pra muitos um deleite.
É um poeta afamado
E um xilógrafo respeitado
Nosso José Costa Leite.

Jerônimo que hoje respira
Em São Paulo novos ares,
Com seu traço singular
Está em vários lugares.
A sua arte se expande,
Pois ele é filho do grande
Poeta José soares.

Também Marcelo Soares,
Que é de Jerônimo irmão,
Desenvolveu um estilo,
Que já beira a perfeição.
E ele, além de gravador,
É também um trovador
Pleno de inspiração.

J.Borges de Bezerros
Possui traço primoroso
É A Prostituta no Céu
O seu taco mais famoso.
Ele é poeta e editor
Com quem o Pai Criador
Foi bastante generoso.

O João Antônio de Barros
É de Glória do Goitá.
Com o nome de Jota Barros
Ele se projetará
No verso e na ilustração
E também na Coleção
Famosa de Jeová.

Dila é outro gravador,
Que possui boa figura.
Trabalhando na borracha,
Criou a linogravura.
Lampião, Rei do Cangaço,
Está presente em seu traço
E em sua literatura.

Na Bahia, Minelvino,
Que foi poeta e editor,
Escreveu a sua história
Também como gravador.
Com inspiração soberana
Ele traçou na umburana
Fé, caridade e amor.

Também deve ser citado
Da terra de Minelvino,
Franklin Cerqueira Maxado,
O Maxado Nordestino,
Trovador e ensaísta
Que optou por ser artista,
Forjando o próprio destino.

Em Alagoas, a terra
Dos guerreiros de Palmares,
Floresceu a arte do
Poeta Enéias Tavares,
Que escreveu sobre João Grilo
E no cordel e na xilo
Possui obras singulares.

Não esqueçamos Nireuda,
Gravadora potiguar,
O mestre Antônio Lucena,
Que era bom no versejar.
Assim, a xilogravura,
Com nomes desta estatura,
Têm muito a comemorar.

E José Martins dos Santos
Não pode ser olvidado:
Com O Soldado Francês
Ou O Baralho Sagrado,
Fez com traço harmonioso
Um tema muito famoso,
Já por Leandro versado.

Dizem que José Camelo
Cordelista talentoso
Também fez xilogravuras
Com um traço primoroso
Escreveu com maestria
Coco Verde e Melancia
E O Pavão Misterioso.

A gravura popular
Está muito divulgada
Até no primeiro mundo
É exposta e pesquisada
Arte simples do sertão
Na Europa e no Japão
Se tornou admirada.

Brasília que sempre foi
Porto de muitas culturas
Vai expor em grande estilo
A coleção de gravuras
Que vale mais do que ouro,
Um verdadeiro tesouro
Para as gerações futuras.